
INSTITUTO DE CULTURA IBERO-ATLÂNTICA
com o patrocínio literário da rede internacional
POETS OF THE PLANET
Apoio: Município de Portimão
Portimão 11 – 14 Junho 2025
Curadoria: João B. Ventura e Luís Filipe Sarmento
Inquietos num tempo disruptivo em que o mundo parece andar à deriva, empurrado pelos ventos da guerra e da fome, da ignomínia e das alterações climáticas, e conscientes dos riscos mas também das oportunidades do novo paradigma tecnológico, 26 autores portugueses e estrangeiros (poetas, ficcionistas e ensaístas) responderam ao convite do Instituto de Cultura Ibero-Atlântica (ICIA) que organizou o festival, e do Município de Portimão que o apoiou, e com o patrocínio literário da rede Poets of the Planet (POP) e curadoria de João Ventura e de Luís Filipe Sarmento, reúniram-se na cidade do Arade, entre 11 e 14 de junho, num festival que se assumiu como plataforma de debate sobre o mundo atual a partir da literatura e uma festa polifónica da poesia.
Temos a visão de que podemos partilhar a palavra poética para inspirar mudanças, construir pontes entre povos e espalhar uma mensagem de paz, esperança e fraternidade.
Que melhor ponto de encontro para expressar convicções, partilhar ideias, buscar respostas para os problemas do mundo e imaginarmos um futuro melhor, mais livre e justo, que Portimão, na foz do Arade, no extremo ocidental da Europa, cidade entre dois mares, lugar de partidas e chegadas, cosmopolita e de abertura a todos os mundos?
Num tempo que parece esvaziado de valores humanitários, como diria o poeta Robert Juarroz, “às vezes parece/ que estamos no centro da festa./ No entanto/ no centro da festa não há ninguém./ No centro da festa está o vazio.// Mas no centro do vazio há outra festa”.
Esta é a reverberação, simultaneamente interpelativa e festiva, que, inspirados na obra de Nuno Júdice que dá mote ao festival, procuramos nesta primeira edição.
PROGRAMA
11 JUN | QUARTA-FEIRA
09h30: PORTIMÃO, IDENTIDADE E TERRITÓRIO | Visita guiada ao Museu de Portimão [reservado à comitiva de escritores convidados].
10h30: CAMINHADA LITERÁRIA NA PONTA DE JOÃO DE ARENS | “Eu julgo que a realização perfeita da paisagem marítima grega, tal como os poetas da Antiguidade a conceberam, está no troço da costa do Algarve, entre a Ponta do Altar e a Ponta da Piedade, isto é, desde a barra de Portimão até ao fecho da baía de Lagos” (Manuel Teixeira Gomes, Agosto Azul). | Narração por Maria da Graça M. Ventura e Carlos Alberto Osório.
15h00 [Antiga Lota]: SESSÃO DE ABERTURA. A CONFLUÊNCIA DAS ÁGUAS | Com Álvaro Bila (Presidente da CMP), Maria da Graça M. Ventura (Presidente do ICIA) e João B. Ventura e Luís Filipe Sarmento (Curadores).
15h30 [Antiga Lota]: MESA 1: O MOVIMENTO DO MUNDO. O medo do futuro tornou-se uma doença endémica. A predisposição bélica das nações e as tensões político-militares regressaram em força. A ideia de um futuro pacífico e de cooperação entre Estados, sonhada por Kant, está a desmoronar-se. Para onde vai o mundo? | Com D. H. Machado, Pedro Teixeira Neves, Bengt Berg e Agneta Falk | Moderação: Lauren Mendinueta.
17h30 [Antiga Lota]: MESA 2: MEDITAÇÃO SOBRE RUÍNAS: Sobre a guerra e a destruição dos valores associados à dignidade da paz; perceção do sofrimento, o alheio e o nosso – em diferido. Haverá uma “deficiência cognitiva programada” que nos arrasta para os binarismos com que o debate intelectual hoje nos flagela? Como reapropriarmo-nos da educação, resgatando-a da sua heteronomia técnica para lhe devolver o seu papel como janela para o “complexo” e para o “outro”? | Com António Cabrita, Ana Lombardo, Nimrod Bena e Maria João Cantinho | Moderação: Dora Gago.
22h00 [Clube União] POETAS PELO PLANETA | Leituras de poesia pelos poetas // participação de alunos do curso de teatro da Escola da Bemposta // Momentos musicais com João Nobre (música anos 70-80).
12 JUN | QUINTA-FEIRA
9h00: A CONVERGÊNCIA DOS VENTOS. Passeio cultural a Monchique, com leituras pelos poetas no jardim da Vila. Almoço gastronomia da serra] [reservado à comitiva de escritores convidados].
15h30 [Antiga Lota]: MESA 3: GEOGRAFIA DO CAOS: a inteligência artificial e as perguntas que despontam da nova cartografia que ameaça disseminar. Inteligência ou imaginação? As suas virtualidades e embustes no campo da comunicação, dos artifícios da criatividade e da pauta dos valores com que estas “novas musas” encantam os media. | Com Barbara Pogacnik, Sandor Halmosi, Pedro Enriquez e Lauren Mendinueta | Moderação: Pedro Teixeira Neves
17h30 [Antiga Lota]: MESA 4: O CORO DA DESORDEM: As noções de verdade, identidade e realidade entraram em crise no último meio século. O pensamento pós-moderno, que nasceu com intuitos subversivos, acabou cooptado pelo capitalismo neoliberal. Tornámo-nos consumidores, mais do que cidadãos. Pode a política ainda ser dignificada no debate das causas cívicas? | Com Neshe Yashin, Möez Majed, Manuel de Queiroz e Dora Gago | Moderação: Rita Tormenta.
22h00 [Clube União]: POETAS PELO PLANETA. Leituras de poesia pelos poetas // participação de alunos do curso de teatro da Escola da Bemposta // Momentos musicais comJoão Nobre.
13 JUN | SEXTA-FEIRA
15h00 [Biblioteca Municipal]: MESA 5: CAMINHOS CRUZADOS | Dois autores cuja estreia, em plena euforia revolucionária, viria a consolidar-se para além do entusiasmo juvenil. Em caminhos cruzados ou paralelos que se bifurcam, edificaram obras consistentes que continuam a agitar a literatura portuguesa com as suas vozes inconfundíveis. João de Melo, sobretudo na ficção narrativa, Luís Filipe Sarmento, na poesia e, nos últimos anos, também na ficção, são escritores marcantes, não apenas pelo vigor literário, mas também pela forma como cada um se faz espelho dos caminhos plurais da literatura e da vida portuguesa, nos 50 anos de democracia. | Com João de Melo e Luís Filipe Sarmento nos 50 anos de vida literária | Moderação: Elisa Costa Pinto
16h30 [Biblioteca Municipal]: MESA 6: UM CANTO NA ESPESSURA DO TEMPO | “Poeta, ensaísta, romancista, dramaturgo, gestor de políticas culturais, editor, professor, tradutor, homem tranquilo de poucas palavras e muitas ações, Nuno Júdice é uma das figuras intelectualmente mais completas da sua geração. Como comentar alguém cuja vida foi cheia de presenças reais, desde as incontáveis publicações nos vários géneros literários que praticou até aos inúmeros prémios e distinções de que foi alvo? Que podemos nós dizer sobre Nuno Júdice a não ser, muito singelamente, que foi um homem com muitas qualidades. Será em torno de algumas delas que irei homenagear nesta sessão a figura de Nuno Júdice com amizade, admiração e saudade. | Com Manuel Frias Martins e Lauren Mendinueta | Apresentação: Maria da Graça M. Ventura
18h00 [Biblioteca Municipal]: MESA 7: ATÉ ONDE CRESCE A OLIVEIRA [Biblioteca Municipal] | Apresentação da Meridional. Revista de Estudos do Mediterrâneo. | A literatura e a história desempenham um papel fundamental na promoção da compreensão e respeito entre diferentes culturas, atuando como uma poderosa ferramenta de diálogo intercultural, ao possibilitar aos leitores perspetivas diversificadas que enriquecem o seu entendimento do mundo e o respeito pela diversidade, promovendo a empatia, o combate contra estereótipos e preconceitos, desafiando-nos a questionar as nossas próprias convicções. A Meridional reflete a pluralidade cultural do Mediterrâneo, reafirmando o seu género enquanto revista híbrida de poesia, conto, crónicas, ensaios historiográficos e recensões. | Com Paula Mendes Coelho, Maria da Graça M. Ventura e Maria João Cantinho
22h00 [Clube União] | POETAS PELO PLANETA: Leituras de poesia pelos poetas // participação de alunos do curso de teatro da Escola da Bemposta // Momentos musicais com Renato Reis (música portuguesa).
14 JUN | SÁBADO
10h00 POESIA NO MERCADO. Visita ao Mercado de Portimão com leituras pelos poetas
15h30 [Antiga Lota]: MESA 8: O MITO DA EUROPA: Perdida a dimensão cultural como demanda trágica de um sentido, a Europa tornou-se “frágil na cena do mundo”. Em vez dos cafés, os não-lugares sem alma dos centros comerciais. Em vez da conversa mobilizadora à mesa do café, a denegação e delegação política em “expertocratas que gerem as coisas por nós, de modo a realizar o projeto de nos tornarmos os últimos homens”, como afirmou Peter Sloterdijk. Com António Cabrita, Manuel Frias Martins, Francis Combes e Claus Ankersen. Moderação: Carlos Granja
19h00 [TEMPO -Teatro Municipal de Portimão]: CONCERTO DE ENCERRAMENTO com Pedro Joia (guitarra) e Pedro Lamares recitando poesia de Nuno Júdice.
A participação nas ações do festival foi aberta ao público e realizou-se em diferentes espaços: Antiga Lota 75; Biblioteca Municipal de Portimão; TEMPO; Clube União Portimonense.