Organização do Instituto de Cultura Ibero-Atlântica
Curadoria de Maria da Graça A. Mateus Ventura
Palestra I – Será o Brasil um outro Portugal? A natureza brasílica vista pelo Padre Fernão Cardim
Por Ana Maria de Azevedo
Biblioteca Municipal de Portimão, 30 de maio 2026, 18.00h

Nota Biográfica Ana Maria de Azevedo
Ana Maria de Azevedo, associada no ICIA, foi professora durante cerca de 50 anos, no Ensino Secundário, onde lecionou as disciplinas de História, História da Cultura e das Artes, entre outras e no Ensino Superior, a História do Brasil, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Trabalhou no Instituto Camões onde foi Diretora adjunta da Revista Camões (2003), entre outras funções no âmbito da cooperação com o Brasil. Licenciada em História e Mestre em História e Cultura do Brasil pela mesma Instituição onde defendeu, em 1995, a dissertação de mestrado, “O Padre Fernão Cardim (1548-1625). Contribuição para o estudo da sua vida e obra”.
Proferiu conferências e comunicações sobre temas da História do Brasil, em universidades e instituições culturais portuguesas e estrangeiras.
Autora de livros e diversos artigos publicados em livros e revistas especializadas, em áreas de investigação, sobretudo da presença portuguesa, da ação da Companhia de Jesus no Brasil e do encontro de povos e culturas nos Séculos XVI e XVII, sendo de destacar a edição da obra de Fernão Cardim, Tratados da Terra e Gente do Brasil, em 1997, pela CNCDP, em Portugal e no Brasil, em 2009 e 2020. Em 2025, no âmbito do IV Centenário da morte do Pe. Fernão Cardim, publicou a sua Biografia, em Lisboa, com o título Fernão Cardim. Um Jesuíta do Alentejo ao Brasil, passando por Roma e Londres e em São Paulo, Padre Fernão Cardim. O homem, a vida, a obra.
Resumo
O Achamento ou Descobrimento da Terra de Vera Cruz trouxe uma nova Natureza Brasílica. Novas paisagens com bons ares, feliz temperança do clima, variedade de alimentos, muitos estranhos e exóticos, como a mandioca, o caju, o maracujá, a “erva santa”, ou seja, o tabaco. E, a diversidade da fauna que permitia “comer carne aos dias santos sem cometer pecado…”, como o peixe-boi, que mais parecia vaca que peixe. Mas, outros animais estranhos, como o tatu e o tamanduá, além da variedade e beleza das aves. Ainda as ervas medicinais que vieram enriquecer a farmacopeia europeia.
A atração pelas novas paisagens, odores, sabores e cores, conjuga-se com o olhar pelos novos povos, com estrutura física, costumes, cerimónias e hábitos muito diferentes. Eram as Sociedades Ameríndias! Bons caçadores, pescadores, guerreiros, que tanto adoravam as suas crianças, como eram antropófagos.
Deste contacto nasceram textos de diferentes origens. Cronistas, navegadores, colonos, membros do clero, sobretudo jesuítas portugueses, mas, também calvinistas, luteranos, anglicanos, franceses, holandeses, alemães, ingleses, entre outros. Entre estes depoimentos destacam-se os do Pe. Fernão Cardim S.J. (1548-1625) testemunho presencial de quem viveu no território brasílico cerca de quarenta e dois anos. Tratados que só por si tiveram uma vida própria!
